segunda-feira, março 09, 2009

Eu protesto por ser mulher!

O que é ser mulher?
Ana Magal

A cada ano que passa em minha vida sinto que está mais longe ainda a verdadeira noção do que é ser verdadeiramente mulher. Leio livros, jornais, revistas, onde todos debatem a "visão feminina", "o lugar da mulher na sociedade atual", "os encargos trabalhistas que nunca são justo" e "os problemas do controle da natalidade que sempre fica a seu cargo". Entre muitos outros.

A mulher que sempre é vitima da violência, da hipocrisia, da vulgaridade, da similaridade, da falta de caráter, da falta de educação... Sempre vítima! Porque sempre somos vítimas? Porque não podemos esquecer que às vezes também vitimamos outras pessoas... Homens e mulheres.

Queremos lutar contra o mundo, para mostrarmos que somos fortes... Para quê? Nunca precisamos disso. Sempre fomos e sempre seremos fortes. Mas não temos que procurar em "buscas infinitas" o podre poder de ser superior a raça masculina, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo. Se igualar a um homem. Aff...Nem gosto de pensar nisso.

Toda vez que tentei - desde de pequena - me igualar a um homem sempre perdi, e feio, em todos os sentidos. Corporal, mental, racional... Homem é homem e ponto. Mulher é mulher e ponto. Porque nós passamos décadas e décadas tentando ser iguais ou superior que? E aí começa o inverso. Eles tentando voltar a serem os predadores, e aí digo, voltamos à estaca zero. Porque agora, alguns deles tentam mostrar com a força física (que a deles é muito superior que a nossa, não adianta negarmos. Isso é obviamente visível) que eles seriam eternamente superiores.

Ser superior? O que é ser superior a alguém? Eu acho que quando você, de uma forma sutil, gentil, amorosa, demonstra que ama, que respeita sua mãe, irmã, prima, vizinha, namorada, esposa, filha, cunhada, funcionária, cadelinha, avó, amada, amante... Simplesmente a sua mulher! Você demonstra que é um ser superior.

E acontece o mesmo com as mulheres. Quando amamos, respeitamos e não temos vergonha de assumir todos os nossos erros perante nosso pai, irmão, tio, primo, marido, namorado, vizinho, cachorro, funcionário, avô, amante, amado... Enfim, nosso homem! Com certeza estaremos em pé de igualdade tanto em sentimento quanto em capacidade.

Nunca disputei com homem algum ser ou não melhor que ele. Sempre sim, às vezes tentei ser a "tal mulher moderna" que tanto cobram. Tive que me manter forte perante a família porque sempre fui tratada como o alicerce que nunca pedi pra ser. Sempre me portei de forte na adolescência, para não deixar que me humilhassem por não ter a aparência que a sociedade tinha estipulado que eu deveria ter. Aí tive que ser "a" inteligente na escola, para tentar driblar a verdadeira burrice que tinha dentro do meu ser. E me mostrar "a poderosa" diante dos homens, para nunca verem o quanto sou vulnerável e frágil diante de uma paixão.

Tive ainda que ser forte na cama, para não demonstrar que eu era "igual a todas" que ele pudesse ter conhecido, e que na verdade só queria ser apenas "eu". Mesmo assim em toda minha vida, acabei vivendo (e confesso que em muitas horas ainda vivo) sempre sobre influência de alguém. Ou porque meus pais queriam assim, minha amiga queria assado, namorado falou que o certo era de um jeito tal, vizinho disse que não teria que fazer daquele modo. E tentando agradar todo mundo acabo esquecendo que a pessoa que mais deve ser agrada sou eu mesma.

Isso é ser mulher... É descobrir o que você quer para você ser feliz. Se quer seguir uma carreira promissora ou simplesmente uma dona de casa. Se quer ser mãe ou nunca ter filhos. Casar ou viver sozinha. Se terá animais ou prefere olhá-los somente através das grades do zoológico. É difícil analisarmos tudo o que queremos em longo de nossa vida. Porque, na maioria das vezes sempre estamos fazendo algo porque alguém disse que era para ser feito assim.

Digamos que por medo, eu coloque as minhas vontades e meus sonhos de lado e fuja. Digo sinceramente, não tenho vergonha de fugir, me esconder e reter sentimentos dentro de mim,. Mas será que sempre tem que ser assim? Tomamos decisões fáceis e difíceis em nossas vidas, e sei que ainda tomaremos muitas.

Não posso dizer, atualmente, que no "dia internacional da mulher" eu tenha alguma coisa para comemorar, pois não tenho. Muitas vezes não fui corajosa, outras egoísta, também fui mentirosa, cometi atos insanos, me escondi do mundo, matei meus sonhos e afastei amores. Tudo isso come medo de ser julgada, contrariada ou simplesmente rejeitada. Isso porque foi imposto em minha vida que eu teria que ser forte para não ser pisada e humilhada (na vida pessoal, profissional, emocional, maternal, conjugal, sexual...). Sendo que eu apenas só queria ser "MULHER"...

Poder ter o direito de ter minhas próprias conclusões, sonhos e vontades, mas sem os medos impostos pela sociedade ao longo de anos...

Hoje, eu como "MULHER", não tenho a capacidade de raciocinar sozinha, porque hoje só sei raciocinar no coletivo assim como minha mãe me ensinou, o que a minha avó ensinou a ela, e a minha bisa, etc.

Você mulher de hoje, reveja seus conceitos do que é ser "mulher". Analise bem o que quer e porque quer. Quem você ama e se realmente ama. Pense no seu trabalho e veja se está de acordo com suas vontades, e também com suas necessidades.

Reveja seus conceitos de RESPONSABILIDADE, antes de tudo consigo mesma.

Se você quer amar... Ame! E não tenha medo de receber um não. E se o receber, tome como direito deles, homens, também de escolher. Não somos melhores e nem piores que eles, sempre fomos iguais, mas fomos ensinadas a sermos DIFERENTES.

Acabo pensando então que não tenho do que me orgulhar em ser "mulher" neste dia. Pois hoje só queria esquecer de todos os parabéns, presentes e flores. Esquecer que sou apenas mais uma delas E só lembrar que eu sou apenas eu. Sem sexo, sem identidade, sem cor, sem religião, sem pré-razão... Simplesmente um ser humano!

3 comentários

Jéssica disse...

Poxa, Ana, é um dos poucos textos que falam sobre a mulher, sem fazer aqueles links batidos das operárias queimadas dentro da fábrica, ou do quanto ainda podemos conquistar em relação aos homens. Eu tb nunca precisei fazer 'queda de braço' com homem algum. Homem é homem, mulher é mulher. A cada estamos mais independentes, mais realizadas profissionalmente, mais valorizada (ou vulgarizada, sem querer lembrar, mas lembrando) que não é necessário essa disputa pra ver quem é melhor. A nossa essência é que não devemos perder por conta disso. Acho medíocre e nada feminino. Ah, as feministas? Até em alguns pontos de vista eu concordo, mas preciso de um homem para me orientar, me dar carinho e pegar no meu pé, de vez em quando. Os machistas? vumbora mandar todos eles tomar no...? Ou onde quer que seja. Machismo é tão século passado.(sic)

Talvez eu não tenha dito nada com nada aqui, mas desde o dia em que tuitei contigo, leio seus artigos e os acho de muita qualidade. Devidamente linkada no meu bloguinho, moça.

Um beijo grande!
Melhoras com o dedinho aí!
;D

Tathiane Galdino disse...

Ana:
Adorei seu texto sobre a mulher.Você tem toda razão...A mulher n é sempre a vítima!Ela também é responsável pelas injustiças e ela também é vilã, quando se coloca como inimiga feroz dos homens...O feminismo pode ser algo perigoso para a a sociedade que quer evoluir.Já era hora da mulher n apenas lutar pelos seus direitos...mas se sentir realmente mulher...A mulher forte que já existe há muito tempo dentro de cada uma de nós...e que inutilmente passamos a vida toda procurando!
Para quê?é eté ilógico procurar algo que já existe, que faz parte da alma feminina...Pois nascemos guerreiras, vivemos como gurreiras e morremos lutando...
Não dá para entender, né...

Um beijão!

Tathiane Galdino www.festadepoemas.blogspot.com

Ana Magal disse...

Jé querida... Obrigada por sempre presença aqui!

Tathi... infelizmente existem momentos que somos humanos e precisamos de colo, como qualquer pessoa. Mas o maior mal feminino é querer tentar superar o sexo oposto. O nome já diz é oposto. Bom, gostoso,mas oposto =D

Beijos
@anamagal

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