quarta-feira, abril 22, 2009

Tenho vergonha de ser Terrestre

A cada dia mais sinto vergonha em ser terrena. Isso mesmo. Vergonha de fazer parte do Planeta Terra. Quando leio os jornais, tradicionais e virtuais, fico abismada com o que nós, seres humanos, ditos como racionais, estamos fazendo com nosso próprio mundo. É isso mesmo, a nossa casa vem sendo destruída dia após dia. E não só por problemas ambientais, por falta de caráter também.

Trilhões de pessoas espalhadas pelo planeta lutando para saber qual a cor de pele deve ser a melhor, qual o credo é o mais verdadeiro, quanto dinheiro é necessário para alguém ser feliz. Matam e morrem por isso. Uns aos outros, e com isso o planeta também. Tenho certeza absoluta que se existe realmente uma vida extraterrena (e acredito), e eles forem tão evoluídos como cientistas e o mundo da ficção afirmam que são, eles devem ter pena de nós. Porque eu tenho vergonha.

É presidente que foi bispo que engravidou N mulheres durante anos e só foi revelado quando chega ao cargo máximo do país. Pai estuprando filha. Avô estuprando neta. Mãe matando filho. Filhos matando os pais. E todos acabando com a casa onde vivem, a Terra. Assaltos sem sentido. Sequestros. Extorsão. Assassinatos puros e simples, como se estivessem sentados comendo uma barra de chocolate.

Tudo ficou banal. Hoje passamos ao lado de uma criança morta de fome na rua e continuamos andando como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Crianças que tem que lutar pela vida, como a bebezinha Juliana, que teve sua mãe friamente assassinada a tiros grávida ainda, e agora briga pela vida em uma UTI Neonatal.

As brigas políticas então, nem se fala. Virou parte do cotidiano. Os EUA que odeiam os Cubanos, que odeiam os americanos, que odeiam os iraquianos, que odeiam todo mundo. Brigas religiosas por disputas pura e simplesmente por terra. Pó, areia, chão, nada. Milhões de anos de "evolução" e o ser humano continua se comportando como um homem primata. Um mero Neanderthal que se comporta por instinto e nada mais.

Até quando esse planeta vai suportar tanta falta de cuidado? Até quando ele vai continuar lutando para viver? Envenenamos nossa água para termos mais dinheiro ao produzir produtos químicos que vão matar os nossos futuros netos e bisnetos. Ficamos cegos com o mundo capitalista e passamos por cima de qualquer coisa ou pessoa para termos o que queremos, a qualquer custo.

Matamos os nossos animais. Queimamos nossas plantas para construirmos erroneamente "nossas casas". Entupimos nossa água de esgoto. Roubamos, assassinamos, estupramos... Isso virou coisa normal. Ninguém liga. Ninguém quer saber.

A maior parte das pessoas se interessa em saber quem vai ser o campeão do BBB ou do Aprendiz. Preferem se enlouquecer assistindo uma partida de futebol, e se deixar até mata por isso. Hoje os outros falam e ninguém mais escuta. Ou melhor, só escutamos o que queremos.

Vivemos num mundo de plástico. Tudo é artificial: nossa casa, nossa água, nossa comida, nossa informação e até nosso corpo. O ser humano, o racional, só quer saber se ele é mais bonito, mais inteligente, mais rico do que o outro. Uma eterna disputa de egos. E o planeta Terra assistindo a tudo isso e tentando sobreviver a essa guerra civil mundial onde o ser humano destrói a própria casa, a própria raça.

E no meio disso tudo vem o povo se irritar e chamar de pobre coitada, a Susan Boyle, que cantou lindamente em um programa de tv britânico, só porque ela não se encaixa nos "padrões esteticamente corretos" estipulados por essa sociedade de plástico. Ela não é uma pobre coitada (como ando lendo em muitos comentários por aí). Ela não esta querendo aparecer. Pelo contrário, tem todo o direito de estar lá, afinal é um concurso de melhor CANTOR, e não de beleza física. E nesse mundo plastificado, de mulheres com jeito Barbie de ser, uma mulher gorda, velha e feia não tem o direito de fazer sucesso e ter mais capacidade de realizar algo extraordinário. Sabe porque? Porque isso é muito mais irritante (e importante) para elas. Muito mais importante do que lembrar de fechar a maldita torneira quando vai escovar a porcaria dos seus dentes plasticamente perfeitos!

Nessas horas me vem na cabeça o filme O Dia em que a Terra Parou. Será que precisaremos chegar perto da nossa extinção para prestarmos atenção em alguma coisa e modificar nosso modo de ser???


6 comentários

Augusto Namitala Barbosa disse...

Ana, acho que vamos ter que chegar sim perto da nossa extinção para pensarmos em mudar, pelo menos nossos herdeiros, eles sim vão ter que lutar para salvar o mundo que estamos destruindo hoje, destruindo para ter a melhor casa, o melhor carro, destruindo para simplismente mostramos que somos melhores que os outros nessa vida. Acho que é o egoísmo que não nos deixam lembrar que nosso planeta, é realmente nosso, não de quem vive nele hoje, mas de quem viveu e e de quem ainda vai passar por aqui, se fomos colocados aqui, ou se evoluímos até esse ponto, é para que melhoremos mais, e se tem vida aqui na terra é por um motivo, e é esse motivo que tem que nos fazer conservar a vida aqui...

Ana Magal disse...

Infelizmente amigo, é isso que vai acabar ocorrendo. Esquecemos que isso aqui é a NOSSA CASA, ou melhor a nossa principal casa. Sem ela não teremos casas, carros, comida, etc.

Mas fazer o que...

Sinto cada dia mais que a cena de Keanu Reaves se aproxima, só qdo chegarmos perto da extinção tomaremos jeito... Infezlimente.

tutorunopar disse...

Ana, essa é uma das minhas maiores preocupações, a perda dos valores morais. A coisa anda tão banalizada que estamos perdendo também nossa identidade.

Por isso uso o espaço do meu blog, para bradar contra todos esses absurdos que abundam nossos noticiários, é o mínimo que eu posso fazer.

Ando preocupado com nosso futuro e dos nossos filhos.

Ana Magal disse...

É amigo... as pessoas ficam achando que tem que se preocupar com o próprio futuro e como isso não será realizado em curto prazo acabam deixando de lado. Eles tem que lembrar que o futuro que depende de nossa mudança não é o nosso e sim dos nossos descendentes.

Schovscovski disse...

Ana, muito bom o texto.

Uma coisa parecida com a situação do filme já está acontecendo com a seção de reportagens sobre a Amazônia no Fantástico, com o Marcos Palmeira. Depois dos efeitos causados pelo desmatamento, como as enchentes que estão ocorrendo no Nordeste, a seção tenta mostrar a realidade futura para os brasileiros. Infelizmente, 20min semanais não são suficientes para provocar o mesmo efeito do filme.
Pode parecer estranho, mas tem gente que realmente não liga pra isso.

Só pra completar a última frase: "A ignorância é o segredo da felicidade."

Abraços,

@schovs

Ana Magal disse...

Eu vi algumas partes do especial do Fantástico. Realmente não conseguirão atingir um público grande. Até pq não dá tantos detalhes dos problemas.

Qto ao filme, ele mete logo medo nas pessoas. Tudo bem que utiliza a ficção para isso, mas nos forçar ao medo faz com que nos defendamos. Algo natural do instinto animal. Se formos atacados vamos nos defender. Acho que o ser humano só vai se dar conta que tá mal qdo se sentir acuado.

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