terça-feira, junho 09, 2009

A irritante mania de abrasileirar tudo

Estava eu anteontem navegando tranquilamente na rede quando me deparei com um fórum onde uma discussão já parecia rolar a alguns meses. O motivo da bateção de boca era o aportuguesamento das palavras estrangeiras. E tudo começou quando alguém abriu um tópico perguntando se o abrasileiramento da palavra SITE era SAITE. E, pronto... Começou a confusão.

Juro, perdi horas me divertindo com os pseudos-intelectuais que apareciam no fórum. E acabei fazendo uma "pesquisinha" básica sobre o tema no "pai Google". Morri de rir quando li um texto de um defensor ardoroso do termo, já incluído no Aurélio e Michaelis, diga-se de passagem, da palavra leiaute. Isso mesmo. Não vão pensando que escrevi errado não. A palavra "aportuguesada" de LAYOUT segundo nosso dicionário oficial é LEIAUTE. E foi que começou minha crise de riso na madrugada dominical.

No tal fórum, estava o disse-me-disse sobre o traduzir, ou abrasileirar, os termos técnicos em geral. Principalmente os da informática. Eu posso dizer que, em meu gosto pessoal – e não vão achando que é porque "acho bonito falar difícil" – prefiro do jeito que está. Até não consigo entender essa mania do brasileiro de aportuguesar tudo.

Outro ponto que me vem a cabeça é justamente a nossa tal língua portuguesa. Ora bolas. Nós não falamos o português a séculos! Nós falamos BRASILEIRO. Não sei porque diabos ainda existe gente nesse país que se nega a modificar de uma vez por todas o nome da nossa língua-mãe. Que eu saiba, eu não compro cacetinho levando dinheiro na minha boucetinha, e nem muito menos vou directo ao ponto de assunto algum. Eu compro PÃO, levando dinheiro na minha BOLSA (ou carteira) e vou sempre DIRETO ao ponto de qualquer assunto.

Uma das coisas que mais me irrita é que quando vejo a maior parte dos brasileiros reclamando que os norte-americanos escrevem o nome do nosso país com Z (Brazil), sendo que é com S aqui (Brasil). Tá... E aí paro para pensar... Nós podemos "abrasileirar" as palavras deles, mas eles não podem "inglesar" a nossa? Caramba!!! BRASIL tem som de Z e ponto final! No fundo eles não deixam de "estarem certos".

Mas acho o cúmulo, como acontece em Portugal, aportuguesar termos de informática. Não estou falando da linguagem mimimi – ridícula por sinal – inventada nos antigos chats e msns da vida, como "eh, naum, pq, tb, vc, oq,wlw,etc". E muito menos dos miguxes criados com a invasão brasileira do Orkut, "miguxo, miguxa, nem, mô, nah, tah, loviu, etc". Mas falo de chamarem na terrinha dos primos patrícios, MOUSE de RATO, por exemplo (até porque em inglês rato é RAT e MOUSE é camundongo – já se imaginou chamando seu "mouse" de camundongo? ).

Aqui no Brasil a palavra SITE oficialmente – deixando claro que é em documentos oficiais, monografias, teses, etc – é escrita como SÍTIO. Uma coisa que já simplesmente horrível... Imagine a cena: "Anota aí o endereço do meu sítio..." - "Uai, mas você não ia me dar o endereço do seu blog? Ou será que vamos viajar?" - Aff! Morri...

Agora, para completar a "coisa linda" do nosso abrasileiramento, o dicionário Aurélio, o oficial no Brasil, e também no Houaiss, a palavra LAYOUT deve ser escrita como LEIAUTE. Peralá!!! Traduzir uma palavra estrangeira é uma coisa, mas escrever como se fala??? Depois ficam reclamando do Brasil com Z dos americanos.

Existe uma enorme diferença entre abrasileirar e destruir uma palavra. Escrever oficialmente no dicionário que LAYOUT é LEIAUTE é um assassinato da língua. Daqui a pouco vão querer oficializar IMEIU. Eu juro, me mato!!!

Já difícil essa mania de dizer "endereço eletrônico". Um dos carinhas lá no fórum ainda fez uma piada que adorei. Imagina alguém colocar em uma cartão de visitas: Endereço do meu correio eletrônico: fulanodetal@blablabla.com. Morri de rir, claro!

Eu acho, sim, que algumas traduções são necessárias. Como deram exemplo lá no fórum do "subtitle" (subtítulo) para legenda. Imagina você dizer: "Não consegui baixar o subtítulo do filme". Vão perguntar de planeta você é. Ou por exemplo o "resume" (resumir) para continuar, reiniciar, dependendo do contexto. Porque já imaginaram alguém falando: "Eu vou resumir o download que eu tinha interrompido".

Não estou dizendo que devemos seguir a risca todas as palavras norte-americanas, ou seja lá de língua for. Mas venhamos e convenhamos, que no mundo, infelizmente globalizado, os programas de computação são todos feitos em língua inglesa. Então porque essa maldita mania de traduzir coisas que são intraduzíveis????

Sou a favor das traduções corretas e coerentes. Nossa língua já é abarrotada de neologismos inúteis e gírias fúteis que de tempos em tempos torna nosso dicionário Aurélio mais grosso que a Bíblia. My God!!!! (Isso mesmo, em inglês ) Daqui a pouco terei que comprar um carrinho de mão só para carregar o maldito dicionario de um cômodo para o outro dentro de casa. Ah, façam-me o favor!

Sejamos corretos e responsáveis nas traduções. E não cometamos o cúmulo do absurdo de traduzir coisa que não tem como traduzir. E parar de uma vez por todas de criar palavras. Depois de algumas décadas elas deixam de existir e viram palavras mortas em um dicionário velho qualquer. A língua portuguesa brasileira é a língua mais difícil de aprender. E agora alem de termos que lidar com a maldição da nossa re-alfabetização para nos atentarmos as novas regras ortográficas vão querer que reaprendamos a mexer no computador?

Fico pensando... Minha mãe que mal sabe ler os e-mails dela e demorou tanto tempo para saber o que era isso agora terá que reaprender tudo de novo? O moderador do fórum falou algo que me fez dar pulos de tanto gargalhar:

Link e site são monossílabas e todo mundo já conhece hoje em dia. Chega pra sua mãe e pede pra ela clicar na 3ª hiperligacao na coluna principal do sitio da UOL, e ela com certeza perguntar se você ta com algum problema. Diz pra ela clicar no 3º link da coluna principal do site da uol, e ela não acha que você ta precisando de uma namorada. Simples assim.
Moderador do Fórum GUJ


Então partamos do princípio "tradutivo" (já que é para inventar, inventamos ora!) que: nomes próprios não são traduzíveis. Se uma palavra já possui tradução estabelecida em nossa língua, pode-se sim traduzí-la. Do contrario, deixe como está. Não crie. Não invente. Não faça parir do dicionário uma nova palavra para nossos futuros filhos e netos nos xingarem por muitos e muitos séculos depois.

Abaixo a imagem do fórum que quase me matou de tanto rir. O carinha falando que vai passar a traduzir os códigos dele. Hilário!


9 comentários

Portal80 disse...

Puxa. rs Não é a toda que chamam isso aqui de artigo. Para matéria não daria. hehe Muita coooisa!!! Top comentarista já!

Agora do tal template q vc tanto mencionou: "ai que saudades do anterior!!!". Eu gostava tanto, achava bonito, leve, diferente. Este agora está com "mais cara" de blog, igual. Deve ter dado um pouco de trabalho, é claro, mas o anterior tinha um toque todo especial, personalizíssimo. Agora .. parece que tudo está meio escondido. hehe

Ainda assim a foto lá em cima e o menu ... Ai ai ai. ;)

Abs, moooça!

Ana Magal disse...

Não diria nem um artigo, nem uma matéria, mas sim um desabafo... Hehehe.

Qto ao layout (me recuso e escrever leiaute), mudo sempre uma vez por ano quando chega perto do aniversário do blog. Vou fazer 10 anos de blogueira em breve, rsss. Aquele eu tb só modifiquei a imagem, a estrutura era do Templates para Você.

De tempos em tempos canso das imagens e tenho que mudar. Assim como meu cabelo, rsss. Aquele já estava me enchendo. Cheio de frufru e mimimi... Sou prática. Como brinco, 'masculinizada'. Gosto das coisas simples e diretas. Gosto das cores escuras com um leve toque de luz. E acho que esse me agradou... Melhor esse que outro, eu ia colocar um todo preto. Aí que o povo ia dar xilique, rss

tutorunopar disse...

Concordo contigo! Em vez de se preocuparem em aprender direito nossa língua pátria, ficam criando esses modismos ridículos, cujo uso nos causam ojeriza.

Ana Magal disse...

E não é meu amigo? Ontem até o @icnunes discordou de mim quando falei que não gosto quando criam novas palavras. Não gosto mesmo. Você 'criar' isso no dia-a-dia para a fala é uma coisa, mas incorporar isso na linguagem escrita é uma afronta a mínima inteligência humana. O nome já diz: modismo! Dá e passa... E o coitado do Aurélio que aguente todos eles depois ¬¬

"Bauru" disse...

A questão do abrasileiramento das palavras passa por uma questão muito maior do que o gosto pessoal. Está mais para a lei do uso, do menor esforço do que para um imposição. Sempre ouvi discussões acaloradas, principalmente na época do tal projeto do Aldo Rebelo (acho que é Rebelo e não Rabelo). Falava-se até em multar quem usa-se uma palavra estrangeira se houvesse correspondente em português. Imagino alguém dizendo "vamos ao centro de compras e depois de comermos um cachorro-quente, vamos ao espetáculo. Vamos ao shopping e depois de comer um hot dog vamos so show) Vê? A questão é mais relacionada ao uso do que à imposição. Quem se preocupa com o aportuguesamento das palavras, ou é lingüista ou um "desocupado" que tenta mascarar a inabilidade de usar a própria língua e preocupa-se com a maneira como vai falar a língua dos outros. O chavão é sempre válido. A língua é viva e permanece aquilo que é assimilado pelo povo.

Ana Magal disse...

Caro Bauru,
Acho que vc resumiu bem o que eu quis dizer. Eles ficam se preocupando em traduzir, criar ou destruir as palavras, não só nossas, como de outros países.

Nossa língua já é tão complicada. Aprender outra então, nem se fala... E quando alguém consegue assimilar no dia-a-dia algo vem sempre alguém querendo inventar modismo que acabará morto em uma página qualquer do dicionário em alguns anos...

ANIME CG disse...

Realmente, isto esta mais para desabafo do que para um artigo. Gostei porque expressou bem o que queria dizer, apesar de não concordar em certos aspectos. De qualquer forma, parabéns pelo sítio... Digo, site... xD

O Dantas disse...

não sei quem lhe disse que os portugueses usam cacetinho em vez de pão e boucetinha(?!?!?) em vez de carteira?!?!?

e já agora, mouse quer mesmo dizer rato em inglês, rat é ratazana. Diferentes no tamanho e habitat.

Mas pronto, as opiniões também se fazem de imprecisões e erros.

Ana Magal disse...

Caro Dantas... em relação ao pão=cacetinho em qualquer lugar que você for pesquisar tem. Exs:

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A3o_franc%C3%AAs

http://fatimando.blogspot.com.br/2007/12/esta-nossa-lngua-portuguesa.html

(uma padaria em Portugal)-
http://www.prq.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=26&Itemid=37

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/935146-mario-prata-explica-o-que-sao-trepador-peugas-e-cacetinhos.shtml

Quanto ao bouceta, é porque tenho uma amiga do Porto que me disse que o diminutivo de bolsa (que no Brasil é bolsinha ou bolseta) em Portugal se escreve com U.

Se em sua cidade é diferente, sinto muito.

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