quinta-feira, junho 18, 2009

Passada a tempestade... Será que vem a bonança?

Depois do furor de raiva, espanto e perplexidade de muitos com a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo ontem pelo STF, posso agora, mais calmamente comentar. Ontem foi meu desabafo, e não modifico nenhuma palavra dita por mim, em nenhum momento.

Eis que se passaram 24 horas do ocorrido e tudo continua normal no país de aquém. Depois de ler e reler vários textos de muitos jornalistas e opinadores sobre o assunto, venho a concordar com uns, discordar de outros e, claro, me irritar com outros mais.

Alguns se irritaram no Twitter ontem a noite, quando a grande maioria, se chocou ao ver a decisão do STF. Uns diziam que "canudo" não tem importância, que o que importa é a competência. Outros falavam que achavam um absurdo as pessoas "se importarem" com o dinheiro investido, pois o mais importante era o conteúdo absorvido e não o dinheiro gasto.

Analisando hoje com calma continuo com meu pensamento. É claro que fiquei revoltada sim por esta decisão. Não que é eu me importe mais com "dinheiro" do que com o conteúdo que recebi, mas o problema é a maior parte dos estudantes, hoje, nas universidades públicas, são filhinhos de papai e mamãe que tomam as vagas daqueles que realmente precisam delas. E os que não tem condições financeiras nem para se manter no mês, ralam por míseros 500, 600 reais mensais para pagar duramente sua universidade e ainda pagar as contas da casa.

E tem gente que ainda acha que eu estou errada em reclamar do dinheiro que investi e que estou investindo? Peraí... Por acaso acham que consegui esse dinheiro onde? Na zona? Ah, não, devem estar pensando que caiu do céu, ou então meu "papai milionário" bancou... Quem sabe estou sendo paparicada por algum poderoso das grandes empresas da comunicação que está bancando meus estudos? Será que existe teste do sofá também para isso?

Trabalhei a minha vida inteira, ganhando pouco, mas com muito orgulho de ter o meu próprio dinheiro e minha renda. Optei por não ser mais uma adolescente na sala de aula bancada por papai e mamãe e fui trabalhar. Entrei na universidade com quase 30 anos de idade com muito desejo de me formar sim. Hoje estou desempregada e com muito custo tenho ajuda de familiares para terminar meus últimos períodos da faculdade de Jornalismo. Com muito orgulho de ter o meu diploma sim. É o meu direito.

Trabalho na área jornalística por amor. Sem ganhar nada e com orgulho de fazer isso. Todos nós, jornalistas, sabemos que trabalhamos muito, muito mesmo, e ganhamos pouco, isso quando ganhamos. E não são todos os "formandos" que estão capacitados para exercer a profissão. Seja ela no jornalismo ou não. Vemos muitos médicos, advogados, engenheiros e outros "técnicos" por aí sem o mínimo de qualidade de ensino e profissionalismo.

Tudo bem, que entendemos a diferença que o que foi revogado foi a obrigatoriedade das empresas em solicitar o diploma, mas ele continua válido, e acho eu, que será um grande diferencial para aqueles que o tiverem.

O que deu raiva a mim, e muitos outros, não foi a desformalizaçao do diploma. Pois ele continua válido e certificado pelo MEC. Ele não ficou fraco, o que ficou fraco foi a nossa profissão. Nossa categoria sim perde respeito, perde direitos.

Li no blog do Rogério Christofoletti uma coisa muito interessante. Ele disse, e eu concordo, que "os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado".

Dito também pelo Christofoletti, e mais uma vez, muito acertado, o jornalista agora terá que se reinventar para ter sua afirmação no mercado. "O jornalismo continuará a ser necessário para as democracias, para a cidadania, para o desenvolvimento humano. Os profissionais que se ocupam disso, que se arriscam diariamente para obter informações, devem se orgulhar por este papel social que cumprem. Devem se orgulhar, mas precisam estar atentos, pois as mudanças são muito rápidas nesta área. Esta instabilidade provoca a vertigem e o deleite".

No blog do colega Alec Duarte, ele falou várias coisas. Umas eu concordo e outras não, como já citei no meu lá no começo. Mas uma coisa que ele disse é muita verdade. Duarte comenta que "no quesito categoria profissional, o fim do diploma também traz consigo a oportunidade histórica de, finalmente, reunir os jornalistas numa categoria de verdade". Concordo e assino embaixo do que ele diz.

Fico lendo e ouvindo muitos dizerem: o diploma não é importante se você não tem competência. Isso foi figurinha repetida o dia inteiro, ontem e hoje. Se esse simples pedaço de papel não fosse tão importante porque o nosso presidente chorou quando recebeu o seu PRIMEIRO diploma na vida?

Como ontem a diretora do FENAJ disse, isso só demonstra que devemos, nós os profissionais já atuantes no mercado – diplomados ou não – nos unirmos cada vez mais. Como um grupo, como uma categoria, enfim, como profissionais.

2 comentários

Portal80 disse...

Belo texto, moça. Tuito isto! rs E, realmente estamos lascados: focas, novatos e estudantes. Ainda bem que (por este lado) não estou trabalhando. Não aguentei nem ficar no twitter ouvindo uma porçao de "zé ninguém" falando baboseira, sem a menor noção da realidade. Portanto, dificilmente aguentaria piadinhas ou correlatos ao longo do dia. Senti-me fraca, impotente e lesada. Triste, mas triste mesmo!

Lembro da frase irônica do leojaime quanto a queimarmos nosso diploma. Pior que até deu vontade. Mas, quando lembrei o quanto caminhei, o quanto melhorei .... fui tentando ficar mais calma. Além disso, pagar R$ 200 para uma 2ª via? Nem mole! Meu dinheiro é caro e mesmo com ajuda da minha mãe (graças à Deus) não o jogo fora. E, nem o meu diploma, por nada. Entrei no jornalismo bem tarde porque mudei de graduação, formei tarde, mas fiz aquilo que gostava e acreditava. Só não sabia que no fim, agora, o dissabor ia ser tão grande.

Se sempre tive vergonha de dizer-me jornalista (em função da briga de EGOS recorrente), agora mais do que nunca, tenho de tentado sê-lo. Mas, não vou pular da ponte também. Existem outros trabalhos, concursos e a justiça ... Que justiça? Em que planeta eles vivem? Do jornalismo romântico, de Nelson Rodrigues? Acooooooooorda, Gilmar!!! Vai pra rua.

Ana Magal disse...

Minha cara colega sofredora como eu... Sabe o que é pior? Eles acham que Jornalista só trabalha escrevendo para Jornal, aparecendo em televisão, falando no rádio... Jornalista não se resume a isso.

Temos os Assessores de Imprensa, Relações Públicas, Assessores de Comunicação, Analistas de Comunicação, Especialistas de Endomarketing, Ass. e Aux. de Comunicação Interna, entre outras funções mais... Quero ver esses profissionais que citei agora fazerem sem trabalho com 'cursinho' de três meses como o senhor ministro quer... Sem uma prévia preparação...

Quero ver o pessoal ser um ANALISTA (função técnica senhor ministro) de Comunicação Interna de uma empresa Multinacional sem um diploma universitário... Quero ver...

Será que nas empresas dos familiares dos senhores ministros votantes contra o nosso diploma nos deixariam 'analisar' a comunicação interna deles sem nosso 'diploma'????

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