domingo, março 21, 2010

Porque nossas crianças estão virando assassinos?

Assistindo hoje a matéria do Fantástico sobre o menino norte-americano de 12 anos de idade que é suspeito de matar sua madrastas, grávida de oito meses, a sangue frio com uma espingarda. O pai, claramente abalado, está em pânico pois seu filho pode ser condenado a prisão perpétua. Quando vejo casos como este, lembro de outros mais, em um passado não tão distante, e me pergunto o que anda levando nossas crianças a virarem assassinos?

Outro dia em um fórum na rede, muitos pais levantaram duas questões de extrema importância na criação dos filhos: jogos, filmes e quadrinhos violentos levam nossos filhos a ficarem violentos também? Até que ponto os pais devem permitir acesso a conteúdo violento para as crianças? Isso foi motivo de várias e várias páginas de pais falando sobre o tema. Alguns a favor a liberdade de acesso em geral e outro terminantemente contra.



Eu, que cresci assistindo televisão e cercada por livros, nunca tive acesso a conteúdo de violência. Nem em minha infância, muito menos no início da adolescência. Só fui começar a me interessar por literatura criminal depois dos meus, 15 ou 16 anos, quando comecei a gostar de filmes de suspense e terror. Hoje em dia todos os desenhos animados são violentos, principalmente os anime japoneses, onde tudo é uma disputa de força pelo o que querem, e não param até matar seu oponente para conseguir.

Você liga a televisão e só se vê seriados com assassinatos, perícia criminal, tribunal, entre outros, onde as crianças andam assistindo sem controle dos pais. Não acho errado que passem esse tipo de conteúdo, eu gosto, eu curto, mas daí a deixar filhos com 8, 10 anos assistindo como se fosse um desenho do Pica-pau tem muita diferença.


A literatura, que anda quase morta entre os jovens de hoje em dia, voltou à tona com o legado de Harry Potter, onde um menino supostamente feiticeiro enfrenta o mal a todo custo para conseguir salvar os bons, seguido pela saga vampiresca de Crepúsculo. Enquanto é no livro tudo bem, a imaginação da criança nas cenas, não tão detalhadas, são feitas no estilo do bem vencendo o mal, mas quando essas versões literárias ganham as telas dos cinemas e seu diretores exageram nos efeitos tecnológicos, tudo perde um pouco o senso do conceito de até onde podemos permitir ou não.

Quando uma criança cresce cercada pela violência, como nas comunidades carentes, há de se entender que esses são os únicos exemplos que têm, e mesmo assim conhecemos vários exemplos de superação nesses ambientes. Realmente não é o hábito que faz o monge, como diz o velho ditado. O ambiente e as aparências nem sempre dão lições de vida que necessitamos ter para crescermos conscientes.

Podemos ver isso pelos longos anos de história de crianças que liam super-homem nos quadrinhos e saiam colocando lençóis no pescoço e pulavam da janela achando que iam voar. Hoje esses mesmos quadrinhos mostram cenas de sangue em excesso, detalhes de crimes sórdidos que até adulto consegue se assustar. Mas afinal quando e como deve ser moderado o acesso a esse tipo de cultura realística?


Afinal, basta assistirmos os telejornais, lermos as primeiras páginas dos grandes jornais que vemos mortes a todo momento. Assaltos, roubos, estupros, etc. Nossas crianças hoje não podem mais brincar na rua porque logo vamos gritando "Cuidado, a vida está violenta!". Criança é um bicho curioso, se você fala que a vida é violenta eles vão querer saber o que é essa tal de "violência" que seus pais tanto o proíbem de chegar perto. E nisso já lanço outro ditado, a curiosidade sempre matou o gato.

Mas seriam nossas crianças que estão sem controle ou seríamos nós que nos atolamos em uma vida tão agitada que não temos mais tempo de educar os filhos? O que sabemos sobre eles? Quem são seus amigos? Quando foi a última vez que você olhou dentro da mochila de seu filho adolescente? Eles já deram o primeiro beijo? E a primeira transa? Já beberam? Já fumaram?

Sei que muitos pais devem estar lendo isso agora e falando, "não, meu filho me conta tudo. Somos amigos!". Lembre-se de vocês mesmos. Nós já fomos adolescentes e crianças um dia. Vocês por acaso contava TUDO aos seus pais? Ninguém nunca contou tudo para os pais. Isso é mentira para fazer boa pose. Na vida adulta nós até podemos ser amigos, mas quando somos pequenos temos medo. Medo do castigo, de ir não naquela festinha no sábado a noite, de não poder jogar vide-game, de não poder continuar com os namoradinhos, de não poder fazer nada. Então, omitimos, não mentimos.


Até que ponto a vida corrida da atualidade, com pais e mães, trabalhando fora praticamente o dia inteiro, sem tempo nem para vida pessoal, está afetando a criação dos filhos? O mundo está mais violento. Nós estamos mais violentos, mais sem paciência, mais irritados. E se nós, adultos, estamos assim, imaginem as crianças que nos veem agitados e ainda complementam tudo isso a muita literatura, games e filmes cheios de sangue, mentira e traição?

Até quando vamos achar "bonitinho" nossas filhos mordendo os amiguinhos, "briguinhas" na escola por motivos tolos, acesso sem limite na internet, "primeiro beijo" de bebezinhos, etc? Acho que está na hora de começarmos a olhar para trás e ver no exemplo de nossos pais e avós, o quão difícil é criar, educar e preparar uma criança para o mundo. Principalmente o mundo atual.

2 comentários

Arthurius Maximus disse...

Você diz que cresceu longe da violência. Mas isso é um ledo engano. Os desenhos de antigamente são recheados de violência. Tom e Jerry possui agressões, mutilações, pancadaria e toda sorte de violências. Até a Turma da Mônica já foi classificado como "violento" pelos "entendidos".

Há uma questão muito básica que, no entanto, é desconsiderada (por desconhecimento ou por medo) por grande parte da população. É cientificamente provado que de 3% a 6% da população mundial é composta por psicopatas. Como o índice indica, de três a seis pessoas em cada grupo de cem têm psicopatias (e isso em mais de 6 bilhões de almas é gente "pacas").

Isso não quer dizer que Jason ou A Família Manson são nossos vizinhos; mas indica que "gatilhos" podem ser apertados e problemas latentes podem se manifestar. Mesmo que o indivíduo tenha sido privado de qualquer violência.

O problema da violência infantil passa muito mais pelas leis lenientes, punições brandas e famílias desestruturadas formadas por adultos incapazes de compreender o que é ser "pai" ou "mãe".

Ana Magal disse...

Arthurius, não discordo de vc. Sendo que antigamente a mensagem de violência era colocada de forma mais sutil. Hoje é escancarada. Em nenhum momento você viu Mônica espancar o Cebolinha tanto com o Sansão a ponto de sair sangue pelas páginas do Maurício. E no final eles sempre faziam as pazes, mostrando para as crianças que a amizade é mais importante que tudo.

E isso também era a base dos desenhos animados da época. O que hoje em dia é diferente. Principalmente com a internet, os games. Pessoas ganham ponto em games por matar inocentes. Matar por prazer. Qual a coisa boa disso?

Antigamente, nossos pais saibam onde estávamos, com quem estávamos e o que fazíamos, porque se interessavam em saber. Tinham tempo de serem pais. Hoje os pais mal tem tempo de serem pessoas, trabalhadores, quanto mais pais. O tempo de hoje está muito mais violento do que de antes. E parte disso tudo é culpa só nossa.

Liberdade demais só atrapalha.

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