sábado, abril 24, 2010

Qual o professor que marcou sua vida?


Me peguei esses dias lendo uma matéria na Época que falava sobre os professores que marcam nossas vidas e comecei a fazer uma viagem no tempo em minha mente, meu mundo, minha infância. Quem nunca teve 'o professor preferido', ou aquele que brigava tanto com você que deixou sua marca registrada em sua cabeça para sempre? Quando um professor gosta verdadeiramente de sua profissão ele se torna uma das coisas mais importantes para o adulto no futuro: inesquecível.

Seja a professora de Matemática que pegava no seu pé porque sempre errada na hora dos cálculos. Ou aquela professorinha do jardim da infância que até hoje quando cruza com ela na rua, nunca esquece de você. Quem sabe o professor de História que fazia a aula ser mais divertida com arguições orais todos os dias. E a tal professora de Inglês que sempre levava o toca-fitas com a música do 'ditado' do dia. Esses são alguns exemplos de professores que nunca esqueci, e que nunca irei esquecer.


Quando entrei na adolescência (eu estudava em colégio de freiras) a única opção para quando saíssemos do antigo ginásio era fazer o eles chamavam antigamente de 'normal', hoje renomeado de Formação de Professores. E eu, como sempre via as meninas com sais ridículas e meiões até os joelhos vivia falando que nem morta faria aquilo. Terminei a 8ª série e troquei de escola. Lá, ainda tempo do 2º Grau, o primeiro ano era de formação geral e só escolhíamos se queríamos uma especialização, ou não, a partir do segundo ano. E adivinha o que aconteceu comigo? Isso mesmo! Saí de uma escola especializada em formas professores para fazer curso de Formação de Professores em outra. Destino!

Lecionei alguns anos depois de formada em turmas pré-escolares, mas como só queriam 'me contratar' como estagiária não pude continuar, saindo então da carreira do magistério. Mas não abandonei o que tanto quis fazer. Na época, me especializei em alfabetização de adultos e crianças portadoras de necessidades especiais na Pestalozzi, e de lá parti para projetos voluntários, nos quais faço até hoje de recreação e alfabetização de crianças com Síndrome de Down em eventos especiais da APAE.

Hoje a carreira de professor não é mais 'valiosa' como foi nos áureos anos 20 e 30. Naquela época uma menina brigava por uma vaga em escolas especializadas em formar professores, como o Instituto de Educação no Rio de Janeiro. Ser professor era ter status, era ser importante na sociedade. Hoje, ser professor é ser marginalizado, ganhar pouco e ainda sofrer ofensas da maior parte dos alunos e de alguns pais. Mas o professor que ama a vocação (porque é uma vocação), pode até explodir e ficar com raiva, mas morre de orgulho quando no dia da formatura aquele aluno, o pior de todos, o abraça e diz: Obrigado.

Um dos maiores orgulhos que tenho foi ter me formado professora e até hoje ser reconhecida na rua por alguns dos meus pequenos aos quais passei três anos ao lado. Uma vez conversando com uma antiga professora minha do jardim da infância, a 'Tia Angélica', ela falou que não esquece nenhum rosto, o aluno pode ter 10, 30 ou até 40 anos, se foi aluno dela ela se lembrará para sempre. E ainda disse que o maior orgulho é ouvir da boca deles que hoje estão felizes, casados, com família, carreira e que se não fosse ela, lá quando ele tinha seus três aninhos, ele nunca chegaria tão longe.

Ser professor é uma honra. Mas honrar o seu professor é motivo de orgulho para toda uma classe, que hoje é marginalizada. E você já lembrou de dizer 'obrigado' para aquele seu velho professor querido (ou quem sabe até odiado)? Afinal, você chegou onde está porque ele te pegou no colo quando caiu no chão e ralou o joelho, ou lhe deu bronca quando fez algo errado ou esqueceu o dever de casa. Sem esses guerreiros, ninguém – nem reis, nem presidentes – chegariam onde chegaram.

A professora
Ademar Lopes Pessoa

Das primeiras letras, a professora
É para nós imagem tão querida,
Como da santa que por toda a vida
Foi sempre amiga, terna e acolhedora.

Na verdade, milagres operou,
Apesar de viver de um vil salário,
E desconhecida do noticiário,
Até quando um presidente falou

Que, aquele que nada sabe fazer
Termina por ser professor.
Ele é que não sabe a nobre missão

De quem, com amor, nos ensina a ler,
A dar passos em busca do valor,
Do conhecimento e da profissão!


.

5 comentários

Juliana disse...

Tive vários professores marcantes, mas jamais esquecerei da Tia Enid, que me deu aula da 2ª à 5ª série na escola Chapeuzinho Vermelho de Jacareí,SP.
Adorei o post, Ana. Me deu saudades da minha infância ;)

Ana Magal disse...

É Ju... a gente viaja bonito na saudade né? Quem não lembro do professor do antigo primário, ou daqueles que pegavam em nossos pés no ginásio?

É sempre um prazer tê-la comentando aqui minha linda. Beijos mil! Obrigada pela visita!

Douglas Costa disse...

Hum tive vários professores ao quais não vou me esquecer. São vários se eu for listar, vai ser outro post rsrsrs ...
Hum! Vou listar dois o Prof.Wantuildes de ciência tive aula com ela da 5ª a 8ª o cara sabia mesmo enfiar a matéria na sua cabeça, e o outro foi a Prof.Arlete aula de biologia, jamais esqueci o Dna humano rssrs como disse a Juliana! Saudades...

Haha agora eu sei por que da Tia Ana !

Ana Magal disse...

Hehe Doug... nem me fale em professor de ciências... Tive um de biologia que passava a metade da aula falando sobre o divórcio dele ao invés de dar a aula e reprovou mais da metade da sala pq 'viajou' de férias e esqueceu de lançar as notas. Virou foco de ódio de todos os alunos daquele ano, haha

Sybylla disse...

Tive ótimos professores, que marcaram muito, mas dois foram especiais.

Uma, D. Neide, temida professora de Português, mas a melhor professora que eu já tive, além de educadora, pois na aula dela ninguém respirava. Um dia ele escorregou dentro da sala e ninguém riu, tamanho o respeito e o medo que tínhamos dela.

E o segundo, professor Gustavo, professor de Redação. Se eu sei escrever do jeito que sei hoje é por causa dele. E ainda hoje mantemos contato.

Eu como professora sei como é gratificante aquele aluno chegar pra você e te agradecer por alguma coisa, querer conversar, pedir uma ajuda. De fato, é vocação, é talento que faz o professor, não um diploma.

Abraço!

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