sexta-feira, julho 30, 2010

Sucesso não é sinônimo de riqueza financeira


Esses dias ando meio ausente dos blogs e por motivos pessoais que não vem ao caso. Mas por conta dos problemas pessoais um assunto começou a martelar na minha cabeça: o reconhecimento (e/ou sucesso) e a reciprocidade financeira da mesma nunca andam juntas. Fato!

Escuto muita gente dizendo que todos os 'famosos' são ricos. Que todos que, mesmo não famosos, tem sucesso de alguma forma são ricos. Mas muitos esquecem o que realmente significa riqueza. E a conotação utilizada de forma vulgar da palavra significa que 'sujeito tem fama e sucesso então nada em dinheiro'. Mentira!

A riqueza financeira nem sempre acompanha o seu sucesso pessoal e profissional. Tenho sentido isso na pele. Passei por uma fase muito dark nos últimos tempos em relação à minha carreira, às minhas motivações, enfim, sobre o meu futuro como profissional. Mas do começo do ano passado para cá tudo isso mudou, e radicalmente. Eu, que antes era totalmente (digo totalmente mesmo!) desconhecida dentro e fora da Internet passei a ter que conviver com um dilema (e travando uma guerra interna) comigo mesma: ser reconhecida por algo que eu fiz, por um trabalho meu.


Muitos diriam: 'Mas, poxa, não era tudo o que você sempre quis?'. Respondo: 'Sim!'. Mas ao mesmo fantasmas dos meus medos solitários travam uma guerra, em que muitas vezes, não consigo vencer. Escolhi uma carreira onde sei que a exposição da minha pessoa se faz necessária, mas passei a adolescência inteira brigando comigo mesma tentando me aceitar como sou, física e emocionalmente falando. E agora que consegui superar vários pontos estou tendo que enfrentar meu maior pesadelo: a exposição presencial.

Nunca gostei de estar na frente das câmeras (seja em vídeo ou foto). Sou aquela que gosta de ficar nos bastidores por esse motivo gosto do texto, de me esconder (literalmente) atrás das palavras escritas. Mas por conta dos meus textos o mundo profissional começou a cobrar de mim a presença, o 'estar lá'. E tudo começou ano passado com o convite para o programa 'Aprendiz 6', ainda com o Justus, na Record de São Paulo.

Fui. Mostrei minha cara, mas ao mesmo tempo evitei escancará-la. E tudo foi indo rápido demais. O desemprego ainda me assolava quando meu blog foi premiado pelo Google/Blogger e depois indicado para o The Bobs. Nesse meio tempo ainda fui organizadora e co-autora de um livro e tudo foi virando uma bola de neve. Exigiam minha presença. Queriam me ver, me tocar, me conhecer, estabelecer uma relação intrapessoal. E aí que entra a polêmica do título... Mas estando desempregada como eu poderia fazer isso?

Contei com a ajuda de amigos e familiares para estar presente na maior parte dos eventos dos quais fui convidada. Fui, com muito orgulho de estar lá. Fiquei famosa? Não! Nunca... Longe disso... Mas tive o que chamam de sucesso profissional. Engraçado, pensei: como posso ter 'sucesso profissional e ainda estar desempregada, sem dinheiro nem para pegar um ônibus para ir à uma entrevista de emprego?'. Tentei não tentar entender e deixei para lá.


O tempo passou, frilas pintaram, granas pigaram, mas nada saía como o 'esperado'. Até porque eu ainda tinha o mesmo pensamento de muitos, como poderia eu estar tendo reconhecimento profissional e não estar 'recebendo financeiramente por isso?'. Entrei em um estado de solidão que já conheço de anos atrás. Depressão se instalou. Sim, tenho depressão, há muito tempo. Voltei para terapia para tentar entender a 'incoerência' desses acontecimentos. De tentar descobrir o porquê ser reconhecido não é sinônimo de ter dinheiro.

Falo isso porque o normal é se esperar que se alguém elogia seu trabalho lhe dê uma oportunidade de mostrá-lo, mas isso nem sempre é coisa que acontece simultaneamente. Levou um tempo e recebi uma proposta de emprego. Aceitei, afinal não estou em condições de dizer não para dinheiro. Meus credores que o digam. É meu sonho de consumo profissional? Não. Mas também não é um tormento como foram meus outros empregos. É gostoso, é dentro da área de atuação na qual escolhi seguir minha carreira, mas ainda não me dá aquela segurança financeira que eu preciso.

Ah! Tá... Mas você tá trabalhando, 'diga amém e não perca esse emprego', é o que escuto todos os dias. Mas as contas chegam, as dívidas continuam se acumulando e começo a perguntar sobre os porquês. Porque tenho reconhecimento, elogios e consigo colocar minha vida nos eixos? Porque trabalho, trabalho, estudo, estudo e parece que continuo andando em círculos. A resposta... Não sei. E deixei de tentar descobrir.


Hoje, um episódio no twitter sobre condições físicas das pessoas me deixou muito chateada e parei para pensar do porquê eu fiquei assim. Fiquei assim porque já fui daquele jeito. Já me odiei, já achei que não merecia nada e nem ninguém. Levei anos para entender que sou tão boa quanto qualquer um, e que um dia terei minha vez em todos os aspectos da vida. Será? Não sei. Ontem estava muito abalada. Triste mesmo e nem por isso, fiquei me lamuriando pela rede. Engoli a seco minha tristeza e a levei para cama comigo. Passou? Não... Está aqui. Mas pelo menos agora a entendo.

Entendo que tudo isso que está ocorrendo é um teste de mim comigo mesma. A vida está me testando para ver se realmente me aceitei como sou. A vida está me testando para saber até quanto posso aguentar, até quanto posso aceitar os problemas. Os convites especiais continuam chegando, e mesmo sem dinheiro no bolso e pilhas de contas para pagar me viro e vou, porque tenho certeza que alguma dessas portas que estão se abrindo para mim em forma de reconhecimento um dia terei a realização plena da riqueza, financeira, espiritual, pessoal e emocional. 


3 comentários

ComunicAia disse...

Ana,
Permita-me reblogar a pertinente e oportuna reflexão sobre um assunto que permeia decisões tomadas diariamente por profissionais como nós.
Abs,
Alfredo

Ana Magal disse...

Alfredo, querido, obrigada por fazer o que todos os blogueiros deveriam, sempre pedir permissão na reblogagem.

Uma semana linda pra vc!

Super beijos!

Alberto & Vitrine do Leitor disse...

Ana,

Isso é um dilema que todos - altos e baixos - da área da comunicação passam. Uma crueldade com ótimos profissionais. Infelizmente as ''gostosonas'' ainda irão dominar o mercado da comunicação e corrupção.Posteoriormente ganharão $ com isso e muito mais. A profissão jornalista está mais que banalizada.

bj
Alberto
@betojornalista

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