segunda-feira, novembro 16, 2009

A cega "necessidade" de ter Fé


Um assunto para lá de polêmico esse que vou falar hoje: . Quando falamos de carnaval, futebol, política e religião é fato que milhares virão atrás para nos atacar. Mas quero deixar bem claro que não estou aqui nem contra, nem a favor de ninguém ou de igreja e/ou religião nenhuma. Só vim para expor uns pensamentos que me pegaram de surpresa esses dias.

Uma coisa que tenho percebido, não só no Brasil, como no mundo inteiro, é a "cega necessidade" de ter a como algo palpável. Explico melhor... Vemos guerras pelo mundo inteiro em nome do coitado do Alah. Maomé, é o outro coitado que leva culpa quando milhares são bombardeados a todo momento. E o que acho mais lamentável de tudo isso é que as pessoas não conseguem perceber o quanto estão "cegas". E tudo isso não passa de uma insegurança interior que fazem do ato de ter em algo, ou alguém um sentimento sem controle, onde tudo é válido em nome dessa cegueira.

Mas porque estou falando sobre isso? Poucos sabem mais amo o tema Religião. Mas gosto do tema no formato social e filosófico de significado. Sociologicamente falando, "religião" significa uma "instituição social criada em torno da ideia de um, ou vários seres sobrenaturais, e de sua relação com os homens" (segundo Michaelis).

Filosoficamente explicando – que por sinal é o significado que mais admiro – religião significa "respeito a uma regra, reconhecimento prático de nossa dependência de Deus, e uma instituição social com crenças e ritos" (segundo Michaelis). Isto é, a religião é algo criado pelos homens, e não por "Deus" (Alah, Maomé, Jeová, etc), como muitos acreditam que ser. Por isso que os ateus e agnósticos (como eu) são tão criticados. Amo o conceito de religião, que ortograficamente falando, vem do latim "religio" usado na Vulgata e que significa "prestar culto a uma divindade", "ligar novamente", ou simplesmente "religar".


E no misto humano de necessidade, solidão e desespero surgiram ao longo dos séculos as Igrejas (do grego ekklesia e latim ecclesia e significa "assembleia","convocação") para unir em um só local muitos "necessitados" de . E minha paixão pela e pelas religiões começou por aí, em tentar entender o que leva uma pessoa a ter e sentir essa necessidade incontrolável de participar de uma religião para que ela seja manifestada.

Para deixar bem claro para todos que possam vir aqui me "crucificar", eu não tenho "religião", tenho . E isso, poucos sabem, o quanto é diferente. A palavra vem do grego "pistia" e do latim "Fides", e em ambas, significa "ter a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém". Por isso que ter não necessariamente significa ter uma religião. Os ateus, por exemplo, tem neles mesmos, os agnóstico tem em algo maior que não tem explicação em religiões ou nomes e os "crentes" (aqueles que frequentam qualquer tipo de culto: Judaísmo, Islamismo, Cristianismo, etc) são os necessitam de uma religião ou Igreja para que ela seja manifestada.

Os africanos têm uma enorme. Seus cultos, muitos classificados como pagãos (termo referente às diversas formas de religiosidade não judaicas ou cristãs) são cercados, na maioria das vezes de mais do que em um grupo de cristãos fervorosos. A Wicca (religião neopagã fundamentada nos cultos da fertilidade que se originaram na Europa Antiga) tem na natureza, nos elementos básicos do dia-a-dia, como o ar, a água, a terra, etc. E por aí vai. Mas, na maior parte do mundo, e aqui no Brasil também, essas crenças são taxadas como "Falsa Fé".

Foi então que comecei a pensar sobre isso. O que é essa tal de "Falsa Fé"? Se é acreditar em acreditar em algo ou alguém com toda convicção, mesmo sem ter prova que isso, ou esse, seja provador fisicamente, qualquer pessoa do mundo tem (pelo menos nela mesma), consequentemente, ela nunca será falsa. O que vejo hoje é uma deturbação do significado da palavra Religião e do sentido da . A cada dia mais estamos sendo literalmente "invadidos" por milhares e milhares de Igrejas Evangélicas em cada esquina com a promessa que se você tiver "neles" você será salvo. Pergunto eu... Salvo de quê? De quem?



E não fica só nos protestantes. Isso mesmo, até os Evangélicos brasileiros não sabem que sua religião tem o nome oficial de Protestantismo, que é o conjunto de igrejas cristãs (na época só existia a Católica) e doutrinas que se identificam com as teologias desenvolvidas no século XVI na Europa Ocidental, na tentativa de reforma da Igreja Católica Apostólica Romana. O Protestantismo foi liderado por um grupo de teólogos e clérigos importantes da época, o principal deles foi o ex-monge agostiniano Martinho Lutero. Esse, pode-se dizer, foi um dos fundadores principais, do que hoje aqui no Brasil, chama-se de Religião Evangélica, pois a primeira Igreja que "protestou" contra a forma Romana da religião Cristã recebeu o nome de Igreja Luterana.

Hoje é uma febre tamanha. Igrejas Católicas transformando seus padres em pop-star para conseguir "angariar" novos "cordeiros" para seu "rebanho". Outra parte dela "trocando de mal" com seus superiores e fundando novas congregações. Igrejas Evangélicas dando cria em cada esquina como se fossem farmácias. Para falar a verdade, hoje no Brasil, existem bairros onde não existem farmácias, mas com certeza tem uma Igreja Protestante, seja ela de qual denominação for: "Assembleia de Deus", "Universal do Reino de Deus", "Batista", "Igreja Internacional da Graça de Deus", "Socorrista", "Emmanuel", e milhares de outras mais.

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Essa necessidade incessante de procurar por "nossa" em Igrejas e Religiões a cada dia tem se tornado mais forte. Guerras, corrupção, assassinatos e outras violências mais existentes no mundo, está acarretando mais e mais pessoas nessa busca cega de se sentir "amado", custe o que custar. Tempos atrás, eu fiz uma pesquisa para um trabalho que fiz sobre , e fiquei abismada quando ouvia as pessoas dizendo que buscavam nas Igrejas (e Religiões) o amor e respeito que não conseguiam no seu dia-a-dia.

É uma coisa tão corriqueira hoje em dia milhões de Igrejas, dezenas de Religiões, credos, cultos e crenças diferenciadas que a maior parte de seus seguidores esquecem de procurar a onde ela realmente se encontra: dentro de cada um de nós. Para ter em algo ou alguém, antes de tudo temos que ter em nós mesmos. Se formos capazes de acreditar que podemos fazer algo inacreditavelmente provável, aos olhos dos demais, estaremos colocando me prática a maior que qualquer santo, deuses, ou homens nunca poderiam nos dar: a Fé na humanidade.

Com certeza se nossa insegurança pessoal não fosse tão grande, não precisaríamos de muletas religiosas para por em prática a nossa no que queremos para o mundo e para os seres humanos. E provavelmente não teríamos guerras, violência, ambições desmedidas ou mentiras sem necessidade plausível.


Antes de depositar sua Fé total em algum homem ou congregação, comece a ter Fé em si mesmo, só assim, eu e vocês poderemos mudar o mundo.

4 comentários

Adriano Carvalho disse...

Ana, sua análise é bem feita e muito objetiva. Entretanto, acredito acima de tudo que o mundo é inclusivo, tem espaço para todos, em todos os momentos. Acredito na reencarnação e também que cada um tem uma idade espiritual diferente, daí a necessidade de diferentes recursos para se chegar a Deus, não importando o nome que Ele tenha.
No fim, somos todos farinha do mesmo saco.
Abraço

Ana Magal disse...

Concordo com vc Adriano. O que não gosto é de fanatismo. Seja ele de que religião for. Sou apaixonada pelas religiões e pelo estudo da Fé. Sempre quis fazer faculdade de Teologia, mas aqui no Brasil ou eu escolho os fundamentos evangélicos ou católicos. E quero algo que não seja visto por uma lado só. Na Europa, na Escola Luterana de Teologia, até aulas de cultos africanos estão na grade. Aqui é ruim de citarem isso em sala de aula...

Obrigada pela visita e volte sempre!

Eric disse...

EXCELENTE texto. Sempre tive essa mesma opinião que você sobre fé, mas nunca consegui colocar em palavras até pra mim mesmo. Consegui entender melhor meu próprio ponto de vista sobre o assunto.
Ainda ontem conversei com um amigo evangélico sobre o assunto, mas não sabia dizer como me sentia sobre isso mais claramente.

Agradeço pelo texto.

Ana Magal disse...

é Eric, muitas pessoas pensam assim, mas poucas sabem expressar. Afinal a religião é um assunto muito delicado e levam isso muito a sério, alguns a sério até demais. rsss

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