quinta-feira, setembro 16, 2010

Afinal, terapia pra quê?


Essa semana conversando com alguns amigos e comentando que eu faço terapia a um tempinho ouvi a frase clássica (e preconceituosa) 'Terapia pra quê? Eu não sou maluco'. O pior é que muitas pessoas acham que só faz terapia aqueles que tem algum problema mental. O que é uma inverdade tremenda. Eu, confesso, que no começo eu fui forçada não só pelos médicos como por meus pais, mas depois com o passar dos anos eu mesma fui percebendo que o ser humano tem essa necessidade de autoconhecimento que, infelizmente, sozinho não consegue perceber.

Como infelizmente é difícil achar tratamento gratuito nas grandes cidades e o governo acha que terapia é coisa para gente louca ou rica não encaixando esse serviço importantíssimo em atendimentos básicos do SUS (Sistema Único de Saúde), o negócio é procurar bastante para encontrar um profissional e que caiba no seu bolso. Esse foi um dos grandes problemas que tive quando decidir ir por minha escolha e risco realizar a terapia sem forçação de barra de ninguém.

Fiquei um tempo ser ir e depois voltei e até hoje fico nesse vai e volta, mas não porque não quero, mas sim porque não tenho como pagar. Porém ainda existem pessoas no mundo que acham que fazer terapia não cura nada e que só é perda de tempo. Estão muito enganados esses pensantes por aí. E não pense que você precisa estar com tristeza extrema, solidão enlouquecedora, depressão ou crises de ansiedade de pânico para realizar esse tratamento. Qualquer um pode fazer em qualquer época, basta querer se conhecer de verdade.

Uma antiga terapeuta minha sempre falava que fazer terapia é organizar o guarda-roupa desorganizado que o paciente leva ao consultório e que o trabalho do psicólogo é auxiliar o dono desse guarda-roupa a achar o lugar certo de cada pecinha solta ou fora do lugar. Só que naquela época eu não queria que meu guarda-roupa fosse arrumo, mexido e nem olhado, então fugi da terapia. Justamente porque eu também tinha essa visão deturpada de que se estou fazendo terapia é porque estou 'louca'. O que anos mais tarde consegui enxergar que estava completamente errada.

Com minha atual (e ao mesmo tempo não) terapeuta eu verdadeiramente estou conseguindo (ou pelo menos comecei) a arrumar a bagunça do guarda-roupa da minha vida. Mas tive que dar um tempo nessa faxina auxiliada por falta de grana. Mas isso não me impediu de continuar tentando me autoconhecer, e com certeza, de um dia poder voltar para as sessões semanais que tanto me ajudam a colocar tudo no lugar.

A primeira vez que fui a um terapeuta foi por intermédio de uma psiquiatra (outro médico que todos acham que só tratam pessoas com problemas mentais, isso é mentira!). Eu, que aos 23 anos me encontrava em depressão total, ansiedade ligado no máximo e com síndrome do pânico acentuada tive que ir na marra para o tratamento. Mas eu estava em uma época em que não queria aceitar que precisava ser 'orientada', 'ajudada'... Porque na minha cabeça, eu não tinha nada.


Eu tive TAG (Transtorno da Ansiedade Generalizada) e vive um inferno literal por quase 12 meses, sendo 6 deles trancafiada em meu próprio quarto. Demorei a sair daquilo, mas venci meus próprios demônios. Quando resolvi ir por minha própria conta a uma terapeuta eu não tinha nada. Nem tristeza, nem depressão, muito menos crises de pânico. Minha TAG parecia estar controlada, mas mesmo assim eu sentia a necessidade de me reorganizar e não estava conseguindo sozinha. Criei coragem e fui.

Cheguei a fazer a terapia em segredo por alguns anos. Escondi de amigos, familiares e tudo. Confesso que por vergonha, de quê ainda não descobri. Hoje não saio publicando em outdoor que fiz e faço terapia, mas se perguntam ou descobrem não tenho nenhum problema em falar que faço sim e com muito orgulho de fazer. Aprendi que não preciso chegar ao fundo do poço para querer arrumar a bagunça dentro de mim e mesmo que tenha que ficar ausente das sessões seja por qual motivo for que não posso deixar acumular sujeira nos cantos onde já limpei e organizei. E assim vou levando a vida.

Uma coisa que sempre ouço a apresentadora Astrid Fontenelle falar em seu programa Happy Hour, na GNT, é que terapia deveria fazer parte da cesta básica do brasileiro e concordo em número, gênero e grau com ela. Teríamos adultos bem menos narcisistas, complicados e revoltados hoje em dia se todos pudessem ter acesso gratuito a tratamento psicológico de qualidade. Muita coisa que acontece por aí já teria sido resolvida ainda na infância se tivessem sido organizadas em seus devidos lugares.

Então respondendo ao título, 'Terapia pra quê?'.... Para que minha vida fique sempre organizada e que a bagunça fique do lado de fora!


4 comentários

A.Apolinário disse...

Anaaaa

confesso minha ignorância aqui, já que eu também pensava assim.
No entanto, atualmente, estou tentando organizar tempo e din din para frequentar terapia também.

Adorei o texto!!!

Bjinhos,

Ariana Apolinário.

Ana Magal disse...

É Ariana... infelizmente ainda existem muitas pessoas que ainda pensam assim. Eu era uma dessas pessoas. Hoje, se pudesse, faria sempre sem pensar ou duvidar. Beijocas

Ana Beatriz Camargo disse...

Assim que comecei a ler o texto pensei na frase da Astrid e, sim, concordo.

Quanto ao que você falou, está concordado em gênero, número e grau. Falo por experiência própria, não precisamos estar no fundo do poço ou na crista da onde para encontrar alguém que nos ouça e nos ajude a entender melhor o que não conseguimos perceber.

É isso aí, terapia é vida! Rs.

Beijinhos, Ana.

Tiozão das Batidas disse...

Orgulhosamente programei uma 'chamada' para este ótimo artigo no novo site dos Blogueiros do Brasil. O post será publicado dia 22/09 às 20:30 hs.

Abraços cordiais.

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