terça-feira, setembro 25, 2012

Não temos o hábito de conferir a “classificação etária” dos filmes no cinema (caso ProtógenesXTed)


Mal acordei e a web inteira estava alvoroçada por conta do assunto do dia: “o deputado federal do PCdoB Protógenes Queiroz, eleito por SP com os votos do Tiririca, quer censurar o filme Ted após levar seu filho de 11 anos para assistir um filme de classificação de 16”. Imediatamente fui colocar a par da situação e a cada linha dos jornais e comentários que eu ia lendo, mais chocada ficava.

Quando escrevi no título que não temos o hábito de conferir a classificação etária dos filmes, não coloco a culpa somente no espectador, mas também nas salas de cinema. Sempre que posso estou assistindo algum filme e nunca vi em nenhuma sala a conferência da faixa etária pelos funcionários, assim como cansei de presenciar pais levando filhos de 4/5/10 anos para assistir filmes com classificação de 18. Ou seja, não estamos nem aí e depois queremos criticar.

O filme em questão citado na trama da confusão entrou no Brasil com classificação de 16 anos de idade, ou seja, se um adolescente de 16 pode escolher o presidente do país, concordo plenamente que ele possa assistir um filme com cenas de sexo, drogas e violência. Pronto, uma questão da polêmica resolvida. Por outro lado, quando eu fui assistir o mesmo filme vi inúmeros pais com filhos pequeninos entrando na sala e depois ficando chocados com as cenas e me perguntei: “essas criaturas não conferiram o trailer do filme antes? Não verificaram a classificação etária na bilheteria?”. Fiquei tentando entender o que aquelas crianças estavam fazendo ali.

Essa cena de crianças pequenas (inclusive de colo, amamentando) entrando sala escura adentro com seus pais a tiracolo em filmes exclusivamente para pessoas mais velhas me choca há muito tempo. Quando fui assistir “Resident Evil 5: Retribuição” tinham sentados na mesma fileira que eu três casais com filhos menores de 5 anos e atrás de mim uma menina com um bebezinho amamentando enquanto ela se deliciava com as cenas de zumbis tendo cabeças explodidas. Se formos colocar nesse ponto de vista é a mesma coisa que ocorreu com o tal deputado irresponsável ao assistir Ted.

Sempre assistir filmes que eram acima da minha classificação etária acompanhada por meu pai, e olha que vive os áureos tempos da censura. Meu pai sempre teve o cuidado de falar que o filme teria cenas fortes e muito sangue e queria ter certeza de que eu gostaria de assistir. Lembro-me de assistir toda saga de Rambo entre meus 8 e 13 anos de idade ao lado do meu pai e nem por isso, me tornei uma assassina cruel e desalmada. Meu pai se responsabilizou por ter me levado a filme feito exclusivo para adultos e conversou comigo sobre isso, antes e depois.

O caro senhor deputado não é nenhum homem ingênuo e muito menos desprovido de educação formal. Ele, que é delegado federal (licenciado), teve acesso a educação de qualidade para chegar aonde chegou e não foi sendo “inocente” que conseguiu alçar voo na carreira, então não me venha com esse papinho de que “vi um ursinho no pôster e pensei que fosse para criança”. Até porque as crianças de 11 anos de hoje em dia já estão bem acostumadas com esse tipo de coisa a partir do momento em que são fãs de Naruto, Dragon Ball e todos esses desenhos que explicitam a violência física a todo o momento. Então, senhor Protógenes, vamos parar com a imbecilidade tá?

Vamos para a questão das salas de cinema... Eu assisti filmes desde os meus 5 anos de idade e só na época da censura oficial que via o rapaz da bilheteria se importar com a idade de quem entrava no cinema. Muitas vezes amigos meus foram barrados por conta da estatura, mesmo sendo mais velhos que eu, enquanto eu, mesmo mais nova, sempre consegui entrar por conta da altura. Atualmente não vejo essa preocupação com a conferência de quem entra nas salas.


A maior parte das salas de cinema em que fui, tanto no Rio quanto São Paulo, vejo adolescentes indo em grupos assistir filmes sozinhos e nenhum funcionário fica perguntando quantos anos tem cada um. Pelo contrário, a única preocupação com a faixa etária é quando eles solicitam o direito do desconto de estudantes que eles conferem as carteirinhas, mas crianças pequenas, apenas olham e deixam entrar. Nunca vi nenhum deles perguntando aos pais se tem certeza de que o filho pode assistir àquele filme ou orientando que é um filme próprio para adultos e não indicado para o pequeno que lhe acompanha. E aí, como fica?

Voltando ao ursinho Ted... O longa foi escrito por um autor já conhecido por suas piadas ácidas e humor prá lá de negro, ou seja, todos que tiveram ao menos o trabalho de conferir qual era o filme, roteiro, atores etc, sabem muito bem que Seth MacFarlane é criador do desenho animado para adultos  Family Guy e cocriador de American Dad! e The Cleveland Show, todos com conteúdos para lá de “não indicados para crianças”. Então, me dizer que um pai que é delegado federal, graduado, deputado etc e tal, não teve sequer o trabalho de conferir o que o filho de 11 anos pode ou não assistir na telona me levar a pensar em que tipo de conteúdo essa criança tem acessado na internet, por exemplo. Afinal, seu pai nem se deu o trabalho de verificar se um filme no cinema estava dentro do conteúdo aceitável para ele ou não, né?

O filme em questão conta a história de John Bennett (Mark Wahlberg) que passou por uma infância solitária nos anos 80 e buscou refúgio em seu, então, único amigo na época: seu ursinho de pelúcia Ted. Ele, se sentindo excluído pede de presente de Natal o ursinho e durante a passagem de uma estrela cadente faz um desejo: que seu amigo se torne real. Ele consegue ser atendido e Ted cresce com ele passando por todas as fases de sua vida. Assim tantos os acertos, como seus erros, são copiados por seu amigo “fofinho”. Sendo que Ted representa a imagem de John quando criança a mentalidade dele é a mesma, portanto, não acompanha a maturidade e o discernimento do certo e errado que toda criança passa ao longo da vida. Ted passa a ser um amigo incômodo que só faz besteira e na maioria das vezes embaraça o John adulto. Quando seu relacionamento com a namorada Lori Collins (Mila Kunis) fica ameaçado pelo fim por conta das loucuras do seu pequeno amigo felpudo John precisa amadurecer a força e deixar seu passado para trás.

Parem e pensem: “você criança cresce. Passa pela adolescência, comete erros, descobre o sexo, experimenta drogas, curte novos sons, descobre o mundo etc, etc, etc... E ao seu lado, seu amigo de infância (que terá eternamente a mentalidade de uma criança) passa pelas mesmas situações que você. É normal que coisas erradas aconteçam, que coisas certas brotem das experiências difíceis. Isso se chama viver e aprender com os erros”. Essa é a mensagem do filme de Seth. Ele mostra que todos nós, inclusive o filho de 11 anos do senhor Protógenes, passará por isso: crescer. E também mostra que nem sempre é fácil, alegre ou divertido. Mostra que encontraremos problemas e pessoas ruins pelo caminho e só com a experiência e maturidade que conseguiremos nos livrar dos hábitos ruins.

Pra você, Senhor Protógenes!

Assim como John aprende no filme, e nós todos aprendemos na vida, a crescer e discernir o que é bom e ruim, certo ou errado, espero que todos os pais aprendam que nem todos os filmes no cinema, programas de TV, sites de internet e games são próprios para seus filhos. Devemos aprender com nossos erros (entendeu, senhor Protógenes, o erro foi seu ao levar o Juan) a não cometê-los novamente no futuro. Para isso que servem as experiências. Para isso que servem os “Teds” (amigos) que tivemos/temos ao longo da vida. Apenas para nos ajudar a entender que nem tudo que brilha é outro, nem toda frutinha colorida é gostosa, nem todo cachorro é amigável e nem todo bichinho de pelúcia é “fofinho”.

Que o senhor Protógenes aprenda agora a conferir a classificação etária dos filmes antes de levar seus filhos e que a sala de cinema que permitiu a entrada de Juan sem orientar o pai sobre o conteúdo impróprio para menores aprenda que também é de responsabilidade deles zelar pelo bem-estar das crianças comunicando aos pais sobre os filmes e deixando claro que se eles decidirem entrar é de total responsabilidade dos mesmos prosseguir. #ProntoFalei!

2 comentários

Caio brutts disse...


Bom,queria falar que me recomendaram esse blog é bom demais,ja li esse post varias vezes e outros,é sempre bom ver recomendações,ouvir falar que tem um site bom ai de rastreamento um tal de http://rastreamento.org alguem ja ouviu falar?sabe me falar se é bom?parabens pelo blog,posta mais por favor!! fuuui

Ana Magal disse...

Olá Caio. Que bom que gostou do post. Nunca ouvi falar nesse blog que vc citou não. Volte sempre!

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