segunda-feira, janeiro 11, 2010

A imaturidade da blogosfera brasileira


O ano de 2009 foi marcado pela geração 10 de blogueiros. A maior parte dos blogueiros brasileiros (e também internacionais) completaram 10 ano de existência no ano que se findou. Entre eles o próprio Blogger, eu aqui no PJ, Rosana Hermann com o Querido Leitor e muitos outros que em 2010 fecharão sua primeira década no ar. Mas esses 10 anos foram de alegrias, e tristezas.

Eu, que como já contei aqui minha história na blogosfera, vi muita gente aparecendo e sumindo desse mundo virtual, que hoje se mescla de forma divina com o real. Se antigamente a internet era temida, e muitas vezes chacoteada como sendo "algo que nunca dará certo", se firmou ganhou espaço e hoje é fonte de renda principal de muita gente no Brasil e fora dele. Jornais, portais, TVs, rádios... Que antes criticavam, hoje disputam lugar com os que eram chamados de "meros internautas sem nada para fazer".

Isso mesmo, a rede era lugar para os "desocupados". Mas muitos desses "desocupados" hoje fazem das grandes empresas do mundo serem o que são, e como são. E isso também ocorreu na blogosfera. Os "weblogs", ou diários virtuais, hoje deixaram de ser apenas um espaço para escrever memórias. Eles hoje viraram salas de aula, relatos financeiros de empresa, espaço de comunicação para empresários, locais de opinião e portais de informação. Hoje, eles ganharam, e merecem o espaço para o qual tanto lutou chegar.

Mas mesmo assim ainda não é respeitado. As leis de internet no mundo inteiro ainda é falha. Os "direitos autorais" são desrespeitado a todo o momento. E parece que ninguém liga, ninguém quer saber, ou até modificar esse pensamento tão arcaico. Hoje ao acordar recebi a notícia via twitter, que uma das blogueiras que mais admiro, a Juliana Sardinha, psiquiatra e metablogger, autora e criadora do Dicas Blogger, resolveu deixar de vez a blogosfera. Uma tristeza para muito, e alegria para uns poucos invejosos.


Ela, como outros tantos sofreram perseguição, difamação, ficaram irritados ao ver seu conteúdo completamente copiado letra por letra, imagem por imagem, e cansou. Ao longo dos meus 10 anos de blogueira, digo, e afirmo, que preciso ainda aprender muitas coisa, mas a Ju, me ensinou coisas que em 10 anos eu nunca saberia existir. Vi blogueiros entrar e sair dessa rede familiar (familiar sim, porque a blogosfera é uma grande família – com erros e acertos, com os bons e os ruins) por diversos motivos: morte, plágio, cansaço, trabalho, mudança, etc. Mas tenho certeza que nenhum deles saiu daqui feliz.

Claro que em 10 anos de blogosfera eu não fiquei ativa o tempo todo. Até porque no início meu blog era mais um "diário virtual" do que um site profissional, ou pelo menos com um objetivo traçado. Eu escrevia só pelo simples fato de gostar de escrever. Eu colocava em palavras o que sentia (e ainda faço isso) porque escrever para mim é a minha forma de terapia. É onde eu relaxo e esqueço os problemas do dia-a-dia da vida real (e às vezes, até da virtual). Fiquei uma vez quase 1 ano sem escrever aqui, quando o blog ainda se chamava "Confissões no travesseiro". E os motivos foram vários: horário do trabalho, problemas pessoais, emocionais e até financeiros. Às vezes simples e pura falta de inspiração.

É fato também que tive meus problemas, e criei meus inimigos on-line. Infelizmente todos nós temos inimigos, querendo tê-los ou não. Uns temos porque nos afrontam diretamente ou tomam algo que é nosso, outros simplesmente por invejam aquilo que temos, e que eles gostariam de ter e não tem. Eles existem, e sempre existirão, e a única coisa que podemos fazer é aprender a lidar com todos eles.

Uma coisa que aprendi durante meus quase 34 anos de vida, é que o desprezo é a melhor arma para os invejosos. Ser ignorado dói mais do que ser afrontado. O simples fato de acharem que "você não existem", nem positiva, nem negativamente para alguém dói e muito, pois o ser humano é um ser sociável, e necessita estar cercado de gente, e principalmente (mesmo que muitos digam que não) serem aceitos por elas.


Li a frase no blog da Ju citada pela amiga dela o @Rekviem "Tem gente que acha que roubar um texto não é violência, mas nunca parou pra perguntar ao autor do texto como ele se sente". E eu sei o que é isso. Quem vive da escrita, das palavras sabe que ter algo que foi criado por você, que demorou horas, dias, meses - e alguns casos, como os livros, até anos – copiado, roubado, republicado como se fosse feito e concebido por outro pessoa, dói.

Conversei com minha mãe sobre as coisas que ocorrem aqui na rede. Engraçado é que nunca fui muito de "conversar" com minha mãe, nos últimos meses a internet que muito nos separou hoje nos aproxima. E comentando hoje sobre o ocorrido ela citou algo que me fez pensar, e com toda razão está certíssima: "Se todos nós formos aceitar as coisas erradas do mundo viveremos no eternos caos na Terra. Se aceitar que uma guerra é algo 'cotidiano' nunca mais precisaremos de pessoas pacifistas como Madre Teresa e Princesa Diana, que morreram depois de dedicar a vida inteira a provar para o mundo, que por mais que o ser humano seja mau, o bem sempre irá prevalecer, sempre".

Matar é errado, não aceitamos e punimos quem pratica esse ato. Roubar um objeto é errado, e o criminoso também é penalizado. Mas infelizmente, por conta de uma legislação ainda falha de nosso país, e com certeza, da imaturidade de nossos blogueiros, eles acham que "copiar" algo que não lhe pertencer e ainda lhe atribuir autoria dessa criação é algo normal e corriqueiro. Eles estão errados? Não. Nós é que estamos deixando eles pensarem que estão certos. Quando nos calamos, quando aceitamos as cópias, quando abandonamos as coisas que gostamos porque o que eles fazem nos atingem tanto a ponto de cansar, quando a lei não está ao nosso lado, porque ainda vive no início do século XX, pensando que a internet é algo monstruoso e sem importância.

Enquanto nós continuarmos imaturos e não aceitarmos que o mundo virtual é o mesmo que o mundo real, vamos continuar vivendo uma personagem fictícia em um romance barato vendido na banca da esquina por 1 real. A vida dentro da rede de informação é o espelho de nossa vida fora dela. Somos aqui as mesmas pessoas que somos lá fora, por mais que "tentemos" fingir que somos diferentes. Aprendi na vida, que o velho ditado popular está certíssimo: "Podemos enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não conseguiremos enganar todos por todo o tempo". As máscaras sempre caem. E um dia nossa verdadeira face vem à tona.


Por isso, eu digo que, enquanto nós não aceitarmos que esse mundo atrás da tela é o nosso reflexo da vida real, ninguém irá nos respeitar. Nenhum governo irá querer criar leis para nos defender, ninguém conseguirá força para continuar, porque simplesmente nós não acreditamos em nós mesmos. Como minha mãe falou, não podemos desistir nunca, porque o mal podem até nos tentar, mas o bem, e os bons, sempre irão prevalecer!

E como já dizia a fábula "A serpente e o vaga-lume", quando ela vivia o perseguindo, até a hora em que a coitado cansou, parou e perguntou porque ela queria o devorar se ela não fazia parte da cadeia alimentar dele e nem lhe tinha feito mal algum, e ele respondeu: "Porque não suporto ver você brilhar..." - A inveja é o pior dos males humanos...

Para Juliana só digo "força, amiga. Isso passa! Dói, mas passa.", para aqueles que a magoaram só consigo sentir por vocês "pena"...

2 comentários

Aline Leal disse...

Amei isso tudo que você disse e acho que está muito certa! Os nossos direitos tem quer ser os mesmos em qualquer lugar que estejamos!
Passei muito temmpo com medo de criar um blog por causa disso, mas agora já parei com isso! :)
Não vale a pena deixar de colocar no ar as coisas que você acha importantes e que pessoas gostariam de ler por causa de terceiros.

Ana Magal disse...

É Aline... às vezes as pessoas esquecem que por trás da tela onde escrevem existem pessoas de verdade e que elas tem opinião, vontades e sentimentos.

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